Resenha: Black Rebel Motorcycle Club – Wrong Creatures

Os californianos do Black Rebel Motorcycle Club completam 20 anos de existência em 2018 e acabam de lançar um grande disco para celebrar esta data. “Wrong Creatures” é um dos primeiros álbuns a serem lançados no ano que acabou de nascer e prova que o “indie/rock/alternativo” do BRMC continua barulhento e com belas melodias ao mesmo
tempo.


As semelhanças com bandas dos anos 80 do estilo de The Jesus & Mary Chain permanecem sendo a grande marca da banda americana, assim como a alta sonoridade das guitarras distorcidas. Nada de novo no front, até então. O que rola é que mesmo sem ter novidades, a banda de Robert Turner (baixo), Peter Hayes (vocal e guitarra) e Leah Shapiro (bateria) consegue manter uma baita criatividade na criação das canções.

O álbum começa misterioso, com uma faixa-vinheta (“DFF”), para logo a seguir emendar com um rock dançante chamado “Spook”, que deve agradar, pela levada, aos ouvintes de The Black Keys e afins, e letra com um quê de crítica ao que se toca na rádio hoje em dia (“…It’s another song / Then it’s gone…”). A partir da terceira música, porém, é que o negócio fica mais sério e o álbum engrena uma marcha crescente de impressionar. “King Of Bones” parece que vai pegar a mesma toada da faixa 2, mas com o passar do tempo vai ficando mas “pesada”, mais soturna também, numa obra vocal interessante.

Já “Haunt” parece que vai ser uma baladinha de blues, mas quando entra a voz de Peter, a melancolia deixa tudo diferente para ficar muito parecido com o rock dos anos 80 inglês, estilo The Mission. Daqui se percebe que as músicas continuam grandiosas, no formato artístico e no tempo, só duas delas são de menos de 5 minutos (uma delas é a vinheta). Nem por isso, são músicas chatas. “Echo” está aí para provar, afinal a sequência que ela forma com a música anterior são de mais de 10 minutos de sincronia e coerência.

“Ninth Configuration” segue na mesma levada, mas com muito mais guitarra e refrão mais denso. “Question Of Faith” traz obscuridade ao disco, mais morna na sua introdução, mas com letra mais pegajosa e ritmo dançante. Daí aparece uma espécie de mantra “Calling Them All Way”, ao estilo da beatle “Tomorrow Never Knows”, inclusive com cítara. Talvez seja a mais arrastada das canções aqui, mas não deixa de ter sua beleza e relevância. Talvez também sirva para preparar para a porrada ligeira que a segue: “Little Thing Gone Wild” honra o nome que tem e se torna a pequena e selvagem música do álbum. Explosiva, poderosa.

Chegando na parte final, temos “Circus Bazooko” com um sugestivo teclado que remete à música de circo para combinar com o título, porém com uma guitarra bem instigante ao fundo. Vem “Carried From The Start” que aparenta ser um rock comum, básico, mas que de repente estoura no ouvido. Excelente faixa! E, tudo isso acaba com “All Rise” e seu som de piano anunciando um “gran finale”, de levada, digamos, “chorosa”, com violinos, inclusive, se deixando levar por uma crescente, terminando apoteótica, caótica.

Black Rebel Motorcycle Club é assim, sempre foi assim, em duas décadas e sempre vai ser: banda que só de ouvir um álbum, já dá vontade de ver um show deles. A grandiosidade que pode ser executada em uma apresentação ao vivo dessas composições é algo curioso de se sonhar em ver. 20 anos de muito vigor criativo. E contando.

E aí, o que você achou do disco? Comente abaixo!

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