Resenha: BØRNS – Blue Madonna

Garrett Clark Borns, mais conhecido como BØRNS, acaba de lançar seu mais novo disco, o “Blue Madonna”, de nome sugestivo e promissor, mas que não aproveita tão bem essa “crista da onda”. Nem Lana Del Rey em duas músicas ajuda. É um disco bem datado, bem mais do mesmo, com alguns lampejos de criatividade, mas que não se confirma, no fim das contas.


Começamos com as partes boas do disco (poucas, infelizmente): a música “Faded Heart”, que leva a pecha de single do disco, por ter sido lançada ano passado, ter clipe (muito bom e louco) e fazer parte inclusive da trilha sonora do game FIFA 2018. É a música mais contagiante, beirando ao “psicodélico-novo-mas-nem-tanto-estilo-MGMT”. Dá a impressão que o álbum vai ser na mesma pegada, pois, a seguir, “Sweet Dreams” também não decepciona, com uma poderosa linha de baixo, e ainda lembrando boas fases da banda Of Montreal, com BØRNS trazendo um belo falsete (aliás sua grande marca registrada). Um “transe fofinho”, digamos assim.

Mais três faixas pra frente, temos “Iceberg”, com um começo quase à capela, lindamente fria, pregando coerência ao seu título, parecendo até a francesa Emilie Simon, na trilha sonora do “documentário-romance” “A Marcha dos Pinguins”. Há, para quase terminar a parte agradável do álbum, “Second Night Of Summer”, que tem um vocal mais uma vez bem interessante, chegando a ter um rouquidão emocionante no refrão.

Para estragar prazeres, porém, não é muito além disso que “Blue Madonna” oferece. As participações com Lana, por exemplo, são fracas demais. Não dá nem para perceber a figura marcante da voz tristonha e bonita da cantora. Procure e comprove. Em “God Save Our Young Blood”, um pop comum, sem nada demais, a música não deslancha; na faixa que dá nome ao álbum, soturna, que tenta soar como Lana, quando ela começa a melhorar, a música acaba.

As demais músicas contam com excessos de clichê na sonoridade, melodias, batidas de pop e rock, letras, efeitos, que não trazem criatividade alguma que alavanque “Blue Madonna” a um patamar maior do que era esperado. O maior exemplo disso é “I Don’t Want U Back”. Possui um autotune horrível, desnecessário, pois a voz dele é linda. Não precisa dessa forçação de barra, é um grande pop bagaceiro, da pior marca, honestamente. Daquelas vergonhas alheias.

BØRNS tem potencial para muito mais que isso. A música que faz a despedida do disco, “Bye-Bye Darling”, tem a pretensão de sugerir que o ouvinte vai sentir falta de algo. Esse algo certeza não é “Blue Madonna”, apesar de a música última em si até não ser ruim. Se a gravação fosse algo na levada de “Bye-Bye…” talvez. Não é o caso.

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