Resenha: First Aid Kit – Ruins

Sabe quando você vai viajar de carro ou de ônibus para a praia ou para o interior e quer uma trilha sonora para a vista da paisagem da sua janela? Pois bem, eis o disco perfeito. Depois de 4 anos, as irmãs suecas Klara e Johanna Söderberg reaparecem com suas afinadas vozes em um belo novo disco, Ruins, indie/folk da melhor safra.


Para quem não conhece a dupla, dá-se a primeira impressão de que se assemelha muito com as cantoras sertanejas/pop daqui, apenas com a diferença da língua. Porém, é muito mais que isso. First Aid Kit é melodia e emoção pura. Quando a voz mais grave de Klara introduz uma canção e mais à frente encontra a agudeza do som vocal de Johanna, se percebe como o trabalho é todo bem feito.

Vamos então pegar essa road trip, para entender melhor o álbum. Primeiro abre-se o vidro do carro e sente-se a brisa refrescante de “Rebel Heart” bater tão deliciosa no rosto, a primeira das baladas country/folk presentes no disco, que muda de compasso, sem perder a direção, muita sofisticada, inclusive. “It’s A Shame” segue no mesmo clima, com uma velocidade menor, para você observar melhor o horizonte.

“Fireworks” talvez queira fazer você refletir, curtir uma melancolia, com o braço apoiado no espaço da janela aberta, quem sabe até querendo te fazer chorar, por sua beleza extrema. Mas calma, a viagem só está começando. Logo chega “Postcard”, mais uma singeleza, com um piano delicioso, lap steel (aquelas guitarras com slide em que o músico toca com ela deitada), e o ambiente “pé na estrada” só fica mais marcante.

“To Live A Life” faz lembrar passeios de outrora, fazendo recordar a Feist, na melodia da música em si e, inclusive, na voz de Klara. Tudo isso desemboca em mais um belo “racha vocal” entre as irmãs. Bonito de acompanhar. “My Wild Sweet Love” traz um pouco de neblina, mas se dissipa rapidamente, pois a seguir tem “Distant Star”. Quem ouve quer já pegar uma estrada espacial logo de vez para alcançar a tal estrela distante. Não, não, vamos nos manter em vias terrenas mesmo.

A faixa-título traz mais uma vez um bucolismo melancólico e belo. Lá ao longe já se consegue avistar o destino. “Hem Of Her Dress” é o ápice do trajeto, a delícia de chegar, a emoção aflora, a voz da canção chega a ficar até gutural, bem emocionante e emocionada, levando a um caminho em que um coro de vozes se apresenta, como se o povo da cidade em que chegamos nos chamasse pra entrar numa roda de uma festa folclórica.

O fim da viagem é sempre a parte mais triste, a despedida é sofrida. As vozes, o violão, o teclado e os outros instrumentos que vão aparecendo em “Nothing Has Be True” dão um até breve. Afinal sempre queremos voltar a um lugar que nos trouxe boas sensações. E que não demore tanto para a próxima viagem, hein, meninas?

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